domingo, 18 de junho de 2017

O homem dos filmes.

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Desde o término dos meus pais, aprendi com minha mãe em seus relacionamentos a sempre ter alguém extra por precaução. Desde que me conheço ajo assim e esse efeito dominó nunca teve fim. Os filmes românticos sempre me venderam algo que não fazia parte do meu mundo por isso nunca curti o gênero. Não deu outra e caiu alguém na minha vida assim. Júnior era lindo, fofo e tudo aquilo que os filmes nos fazem querer, mas que no geral nem tanto assim. Comprou-me flores, chocolates e os deixou em meu trabalho sem identificação no dia de meu aniversário. A noite mandei mensagem agradecendo pela surpresa, que realmente havia sido dele. O cara era legal, mas legal nunca foi suficiente pra mim. Não havia mistério, ciúmes e tudo estava de bandeja pra mim. Falando assim até parece que eu faço parte do clube das que amam cafajestes e homens que pisam nas mulheres. Não mesmo! Previsibilidade nunca me atraiu, e com ele eu sempre soube qual seria o próximo passo. Sua mãe sempre tentou me deixar confortável em família, mas não deu certo. Eu que sempre gostei de competir e de fazer poucas vinganças não me contentei com tanta calmaria. Talvez eu tenha me tornado a pessoa errada para as boas, por que para as espertas sempre estive viva e no jogo. Para poupá-lo decidi acabar com sua tentativa de me conquistar antes que ele criasse mais expectativas com um "nós". Não poderia permitir que ele deixasse sua real essência para que pudesse tentar criar interesse em mim, sendo artificial. Quando o disse que não combinávamos ele cabisbaixo aceitou. Saiu das minhas redes sociais e não respondeu mais minhas mensagens. Deve ter se arrependido de ter me dado as flores e o chocolates, que inclusive foram os melhores que recebi. Eu sempre disse que nunca gostei de magoar alguém, mas sempre foi inevitável. Hoje com o Rodrigo tenho certeza que ele é "tampa da minha panela", que faz tudo fora do normal e que me deixa louca. Tem final feliz para todo mundo, só não é feliz ter que se adaptar e mudar para ter alguém. Viva a escolha de cada um e sobre o Junior, desejo felicidade e acredito que uma hora ele encontre alguém que tanto acredita e sonha com um homem dos filmes.
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Segunda chance.

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Era agosto, mas só depois de alguns meses ela quis conversar comigo. Nem cogitei ser prepotente e pensar que só depois de algum tempo ela precisasse de mim, até por que estive a espera por esse momento. Em janeiro mandei minha última mensagem. Ela havia acabado por que não sabia o que fazer com as minhas faltas, nem tampouco como conciliar a responsabilidade de criar seu filho e de como ter que bancar uma casa sozinha. Seu medo ao meu ver era que eu fizesse parte de sua vida, assumisse uma família e em algum momento caísse fora, exatamente o que seu ex fez assim que teve a oportunidade. Eu já a conhecia através de amigas de escola, mas ela já namorava com um outro cara desde o ensino médio. Aqueles relacionamentos de adolescência que daria em casamento, sabe? Quando ela deu um tempo com ele na época saímos varias vezes juntos e ficamos. Sempre tive dúvidas se o filho era meu, mas ela nunca tocou no assunto. Havia andado muito ausente com trabalho de conclusão de curso, estágio, trabalho e mal tive tempo para dar-lhe amor. O tempo que eu tinha era só meu e algumas vezes eu mandava uma música com mensagem de boa noite e um eu te amo. Eu a amava mesmo, mesmo que eu não demonstrasse tanto. Desde março eu estava decidido de que faria tudo acontecer, mas o tempo cuidou de tudo sozinho. No começo de agosto bateu em minha porta dizendo que não pudera mais guardar este segredo e que precisava conversar comigo. Suas palavras de saudade me encheram de amor e logo me contou que o filho era meu. Eu não estava surpreso até porque sempre suspeitei, mas desapontado por ela não ter me contado antes. Apesar disso nos demos uma segunda chance, conheci de fato o meu filho, a perdoei e ela me perdoou pelas ausências. Segunda chance foi tudo que precisamos para sermos sinceros, presentes e continuar nossa história mas dessa vez como uma família. 
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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Não teve saída.

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Com você não teve saída. Você me deu duas escolhas: se eu ficasse, permaneceríamos juntos mas se eu partisse teríamos que acabar. Acabei não por falta de afeto, mas por que eu precisava encontrar meu norte. Eu gostei muito de você, mas eu achava que não era amor. Pelo menos não ainda. Não sei se você recebeu os cartões postais que enviei de Estocolmo e de Berlin, mas eu tinha que viver essa vida aqui, Diego. A vida que você nunca deu muita bola pra viver. Admito que quando falávamos de filhos eu fugia do assunto. Eu nunca soube como administrar uma vida no Brasil com tão pouco. Comprar uma casa na praia sempre foi limitado para mim e desde criança eu sonhei com a Europa. Talvez você tenha achado que eu desistiria desse sonho ao me formar e aceitar ser sua noiva. Desde o começo eu fui sincera com você sobre os meus planos. Nunca menti para te manter perto, nem nunca disse que o amava. Talvez pela falta dessa palavra que existem em todos as legendas e despedidas de casais por aí, você tenha achado que eu nada queria contigo. Balela! O fato de sermos muito amigos nunca estragou o nosso relacionamento, até por que minha cena favorita sempre foi agarrá-lo ainda molhado após sair do banho. Eu ainda gosto muito de você e sinto falta dessas cenas todos os dias. Eu te quero de volta, mas aqui comigo. Tenho esperanças que dessa vez possa ser diferente e concordo em fazermos terapia como havias me proposto algumas vezes. Sempre fiz de tudo por você e sempre me senti amada por ter feito o mesmo comigo. Certamente és o homem que eu quero passar o resto da minha vida. Mas tenho minhas dúvidas, será que vais deixar teu orgulho de lado, voltar atrás na palavra de que nunca viria atrás de mim e aceitar construir nossa vida aqui? Andei procurando vagas de emprego para você e estou convicta de que vai dar certo. Estou me mudando pra Portugal em agosto e Porto seria ainda mais incrível com você ao meu lado. Não deixa o orgulho vencer outra vez! Depois de realizar esse sonho aqui e refletindo bem, eu confesso que realmente eu sempre te amei.
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domingo, 21 de maio de 2017

Tratata como a pior pessoa.

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Resolvi passar aqui e bater na porta do seu apartamento para resolver o que tem ficado pendente. Me pedisses um tempo e mesmo depois de quatro meses tens me tratado com repugnância. Confesso que trair é errado e super injusto. Você não merecia, mas não achas que pensei demais e me julguei bastante? Não fiquei bem comigo mesma e precisei me abrir para você. Não poderia simplesmente passar por cima dessa situação, olhar para ti e fingir que nada aconteceu. Pedi perdão e aceitei o tempo que precisou para processar, mas cheguei ao meu limite, Nícolas. Não mereço ter ligações desligadas em minha cara, nem tampouco ter beijos frios. Pior ainda é sempre que discutimos, ter que ouvir passar em minha cara o meu erro. Eu te amei muito, mas um beijo em um desconhecido numa viagem a trabalho não anulou o meu sentimento. Não mereço, nem aceito o que estejas fazendo. As coisas não funcionam assim e eu não preciso desse tipo de amor. Já perdoei diversos erros e mentiras suas e nunca te humilhei por conta delas. Agora que acontece comigo me tratas como se fosse a pior pessoa do mundo? Eu não vou levar esse peso de consciência que você joga em mim cada vez que a gente briga. Se você não fosse capaz de me perdoar, que me avisasse que eu teria seguido em frente. Eu nem quero mais esperar que você aceite, nem quero dar mais tempo para que as coisas se ajustem. Para mim já chega e nosso tempo juntos acaba hoje mesmo. Adeus.
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Hoje estou em paz.

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Sinceramente, não deu pra arrumar a casa hoje. A louça na verdade ainda é a de sexta feira. Parece que sobrou outra garrafa de vinho na geladeira mas o saca-rolhas quebrou. Meu cabelo tá desarrumado, ainda não tirei a maquiagem e nem devolvi os filmes que peguei na locadora semana passada. Confesso que ainda não deu tempo de assistir. É bem verdade que não me adaptei bem aos filmes online, mas o carinha que trabalha lá sabe que eu sou cliente assídua e sempre perdoa meus atrasos. Perdão é o que eu hoje me dou após tantos anos. Sinto que estou em paz comigo mesma. Confesso que não me importo com meu peso, como me preocupava há dez anos atrás. Os finais de semana que eu tanto procurava alguém para sair, hoje são melhores na companhia da minha taça com vinho e ouvindo as músicas que embalaram minha adolescência. A Laura e a Marcela casaram e estão com seus respectivos maridos e filhos. Sortuda eu ou elas? Não deu pra pensar nisso hoje. Sorte é viver bem consigo mesma e além de tudo ter um saca-rolhas reserva - risos. Nosso trio era imbatível, mas ainda estou aqui firme e forte. Nem fiquei pra tia, nem pra cuidar de gatos. Não fiquei na de ninguém. Fiquei na minha mesmo. Minto! Essa semana conheci uma cartomante e como quem não quer nada, perguntei como que fazia pra trazer o Ricardo em 5 dias. Tive crise de risos com ela e depois de ouvir as sugestões, a disse que preferia deixar do jeito que estava. Eu o amava, mas o amo ainda mais sendo feliz e amando na bagunça de outro alguém. A Marcela inclusive disse que ele está prestes a voltar com ela. Confesso que prefiro brindar a felicidade dos dois, mas meu saca rolhas está quebrado, não é mesmo? - risos. Eu talvez também esteja quebrada, mas juro que tô me consertando e dessa vez é pra valer. Nem perdão, nem sorte. Hoje eu só quero ficar no meu canto quieta e se alguém por mim perguntar espero que digam que hoje estou em paz.
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terça-feira, 16 de maio de 2017

Não volta não.

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Faz um tempo que tenho tentado entrar na tua vida, não é de hoje, nem de ontem, mas de sempre. A vida sempre deu um jeito de me afastar desse plano. Confesso que cheguei a pensar que aqui não voltaria e que esse sonho pudesse ser um caso encerrado. No decorrer dos anos eu precisei viajar e morar em algumas cidades diferentes, mas acabei voltando para cá para passar mais tempo com a família, entrar numa faculdade e conhecer você. Nunca soube o que sentira de fato, nem pudera dar nome, mas de tão forte me trouxe até aqui de novo. Uma vez ouvi que a gente só ama o que se conhece e aqui estou para te conhecer e saber se o que sinto é amor. Deixei o carro algumas vezes em casa para ver se esbarrava contigo no ônibus que pegávamos para ir a escola. Fiquei muito feliz ao vê-la e ainda mais feliz com sua surpresa por ter me visto depois de anos. Outras vezes fiz questão de pegar o carro e te deixar na porta de casa na volta do trabalho. Soube que faz um tempo que separou e que está prestes a voltar para o ex. Mesmo sem ter direito a pedir isso, espera um pouco mais, Lorena. Nunca esqueci do teu abraço em 11 de julho de 2007 e carrego um pouco de ti até hoje. Eu sei que chegou a época de pensar no futuro, ter um relacionamento sério, ter um diploma, casar e formar uma família. Espera um pouco mais, por favor. Eu preciso que você confie que o melhor está por vir e por hoje é o que posso te pedir. Talvez soe bem tarde eu chegar aqui agora, mas certamente espero o momento de poder te dizer: Não volta não e fica comigo.
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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Por trás de um grande homem, há uma grande mulher.

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Benício esbarrou comigo na quermesse, na igreja da barra em Salvador. Veio do interior para capital para fazer curso pré-vestibular para entrar no curso de direito. Fugia do padrão de novelas, mas fazia parte do meu. Dançamos um forró que acabou terminando num abraço demorado. Seu olhar buscava uma nova oportunidade em uma cidade grande, que também não fugia de um grande amor. Combinamos que sairíamos algumas vezes. Trocamos telefones e quando cheguei em casa logo trocamos mensagens. Três dias depois fomos atrás de apartamentos e pensionatos. Ele se achava incapaz, mas sempre o coloquei para cima, incentivando-o e com fé de que passaria no vestibular em 2010. Certamente o que havia me chamado atenção era seu ar ingênuo de homem do interior. Eu já havia cansado de homens espertos demais e só pelo fato dele ter aguentado minhas crises existenciais por três meses, me fez dá-lo o título de: O cara. Infelizmente acabou não passando e logo dei força para que desse certo no ano seguinte. Nosso relacionamento foi uma história legal. Sempre que dava estudávamos juntos e íamos a praia. Em 2011 ele havia atingido a nota suficiente e tínhamos certeza de que passaríamos. Sim, juntos. Apesar de tudo, éramos um. Antes de voltar para sua cidade, tivemos uma discussão feia. Mas eu tinha certeza de que a poeira abaixaria e que logo estaríamos bem novamente. Sua nota havia sido tão alta que ele tinha ganhado uma bolsa numa faculdade de direito em São Paulo. Mandou uma mensagem terminando o nosso relacionamento, agradeceu por tudo e que já estava dentro do ônibus a caminho do seu sonho. Eu que estava ao seu lado o tempo todo fiquei em segundo plano ou em último. Confesso que me senti culpada pela nossa briga. Confesso também que fiz tudo que estava ao meu alcance para que déssemos certo. Afinal, era com ele que eu sonhava me casar um dia. Aceitei e descansei. Fico feliz de ter amado-o e apoiado-o. Se tivesse outra oportunidade, faria outra vez.  Sinto que fiz meu papel e estou em paz por isso. Desejo-o sucesso e quem sabe um dia ele reconheça o ditado que dizem por aí: Por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher. 
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Quando o destino fez acontecer.

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Pedro tem sido meu melhor amigo desde meus treze anos. Acabei conhecendo sua família e me interessado bastante por sua irmã, que era cinco anos mais velha que nós. Helena era inteligente demais e eu não sabia competir com os mais experientes. Na realidade ela nunca me deu bola e sempre fui o amigo-do-irmão-mais-novo. Sempre me sentia insuficiente ao vê-la nas festas beijando caras mais velhos da universidade em que estudava. Mesmo assim, persistia e fazia de tudo para tê-la com a pouca maturidade que possuía. Aos dezoito tudo mudou e acabei abrindo meu coração na virada do ano. Me ouviu atentamente, mas disse que havia ganhado uma bolsa de estudos para a Argentina. Agradeceu pelo meu afeto, mas que ela tinha novas prioridades. O fato de ela ter me tratado com respeito e por não me ver mais como um cara mais novo, me fez amá-la ainda mais. Apesar de triste, não podia pedir ou questionar nada. Foram tempos difíceis, até que entrei na universidade. Lá fiz novas amizades, alguns amores e entrei num projeto latino-americano que seria a chave final da minha conclusão de curso e que me proporcionaria um trabalho fora. Me dediquei ao espanhol e pelo que tudo parecia, me mandariam para o México, mas me inscrevi para Argentina caso o destino fosse a favor do antigo sonho. Confesso que já não sentia tanto por ela. Pedro me passou seu número e logo entrei em contato. Em maio desembarquei em Buenos Aires e lá estava ela para me recepcionar. Confesso que ao vê-la fiquei sem palavras e havia voltado aos dezoito. Seu olhar de impressionada por me ver, me deu crises de riso. Logo me deixou no hotel e despediu-se com um beijo e sussurrando no meu ouvido: Estou solteira. O mundo havia parado naquele momento. Saímos inúmeras vezes juntos, mas nunca tivemos nada demais. Me despedi pois já era hora de voltar para o Brasil para me formar, mas ela havia ficado triste. Um mês depois voltei para a capital argentina e quando finalmente me senti suficiente bati em sua porta, disse que dessa vez não iria embora e a pedi em namoro. Quem hoje me vê feliz, não sabe o quão difícil foi ter guardado em meu coração um sonho tão grande como este. Esse amor do passado realmente tinha que acontecer.
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sexta-feira, 14 de abril de 2017

A mãe dos meus filhos e o fim de um sonho.

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Casei com Ana Laura em 2011, mas havia a conhecido na rodoviária em 2008 e desde então namorávamos. Felizmente ela foi a minha primeira, o que me fez querer-lhe cada vez mais. Tomei a decisão de que faria dela a mãe dos meus filhos e a minha mulher. Decidido, não hesitei e abri mão dos amores do passado e logo propus nosso casamento em cartório para o fim do mês de agosto. Era mês de seu aniversário, assim comemoramos grandes datas juntos. Fizemos os votos e prometi-lhe que faríamos de tudo juntos para dar certo. Afinal, era o que eu sempre havia sonhado. Finalmente casado, eu nadava no tão conhecido mar de rosas. Para minha alegria após quatro meses, soubemos que ela estava grávida de uma menina. Apesar de surpresos, ela chorava de felicidade, ansiedade, enquanto eu sorria. Segurei em suas mãos e olhando em seus olhos garanti que daríamos conta juntos. Marisa nasceu amada como nenhuma outra da família, era a neta primogênita. Com casa e carro já financiados o orçamento da casa não andou tão bem e ela logo teve que trabalhar para também ajudar na renda para que pudéssemos dar conta de tudo. A vida mudou da água para o vinho. As noites eram em claro, eu acabei ganhando peso e ela já não me olhava como antes. Mesmo com um dia de trabalho cheio, quando eu tentava sair da rotina ela me dizia estar cansada demais. Já não mais havia tempo para nós dois e consequentemente não fazíamos mais amor. Eu compreendia e acreditava fielmente que seria apenas uma fase, afinal todos me diziam o quanto casamento era difícil. Ela acabou se tornando recepcionista de um hotel e sempre aparecia com presentes e um sorriso no rosto. Apesar da falta de tempo, entrei na academia e perdi alguns quilos, mas já não mais havia nada há muito tempo. Passamos a brigar constantemente e vi o meu sonho de um casamento duradouro apenas em minhas mãos. Em 11 de setembro de 2016 ela pediu divórcio e saiu no dia seguinte de casa com nossa filha. Esperou poucos meses e logo apareceu com outro alguém. O que eu mais temia em minha vida aconteceu: O fim de um sonho. De minha mulher e meu grande amor, se tornou apenas a mãe da minha filha e o que mais me dói é poder ter um fruto de um grande amor apenas aos finais de semana.
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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Amizade não serve.

Conheci Guilherme no colégio e desde então tem sido meu amigo. Sempre morou na rua de trás e sempre me deu força com a faculdade. Gostava da minha mãe e sempre por ela perguntava. Quando eu falava de qualquer cara,  ele logo tratava de mudar de assunto. Toda quinta as nove e quinze da noite após seu trabalho, ficávamos na calçada conversando. Antes disso eu logo tratava de fazer o café e afinar o violão. Eu acertava as notas e ele as letras. Brincávamos que seríamos dupla sertaneja em todo ano seguinte. Sempre pontual fazia meu fim do dia ser incrível e de quebra trazia uma torta de morango que me salvava nos dias de tpm. Todos diziam que ele me olhava de uma forma diferente, mas nunca quis acreditar. Até que esse dia chegou. Disse que não dava mais para guardar tanto sentimento e que já não sabia se era paixão ou se já havia se tornado amor. Que amava o meu cabelo cor de ouro e o meu sorriso. Surpresa, bati o martelo e disse que só o via como amigo. De fato, não queria que estragássemos a nossa amizade. Na semana seguinte preparei o café e o violão, mas ele não apareceu. Na terceira semana sumiu das redes sociais e não tive mais notícias. Na quarta, as vizinhas diziam-me não tê-lo visto mais. O que era amizade se tornou saudade. Vi aflorar um sentimento dentro do meu peito que eu jamais havia sentido. Borboletas passaram a habitar no meu estômago e eu logo queria ter seu abraço outra vez e sentir suas mãos firmes ao tentar aprender a tocar violão. Me vi apaixonada e dentro de um clichê de novela. Dia 16 de março numa quinta feira estava pronta para sair com as amigas para o barzinho no centro da cidade. Algo me segurou ali e eu só queria tê-lo ao meu lado. Pedi para as meninas irem até sua rua e o aguardei na porta de sua casa. Surpresa fiquei ao vê-lo com um novo corte de cabelo, assim como ele por ter-me visto. Abri meu coração e disse que já estava apaixonada. Guilherme logo sorriu e me roubou um beijo. Minhas mãos não mais estavam ocupadas pelo violão, mas sim com seu corpo. Não nos tornamos dupla sertaneja, mas nos tornamos a dupla mais apaixonada do bairro. Realmente, só amizade não servia.
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